quarta-feira, maio 07, 2008

Peço licença ao jornalista Alexandre Petillo e a revista época para reproduzir a coluna nosso tempo desta semana. Ao ver o comercial da Coca-Cola, refleti que era uma brincadeira de mal gosto e apesar de ser muito corinthiano, sempre pensei o óbvio que o maradona seria o melhor, etc. etc. Mas confesso que este texto me fez pensar e motivar ainda mais para a luta do dia-a-dia.

Você é o Biro-Biro ou o Maradona? – Alexandre Petillo, Revista época 5/5/2008

Para começar vale ressaltar um detalhe: o Biro Biro não foi somente um destruidor de atacantes como o comercial da nova campanha da Coca-Cola mostra. É uma imagem um tanto distorcida para as novas gerações de um dos maiores gênios da raça de nosso futebol. Muito mais que comparar um jogador com o outro (nem se compara, Maradona foi o maior jogador que essa geração viu entrar em campo), o estilo com que cada um se portou dentro de campo é digno de uma análise.
Biro Biro nasceu Antônio José da Silva Filho, lá em Santo Amaro, Pernambuco. Quando criança, morava em uma palafita e deixou de lado a pesca do caranguejo depois de levar uma mordida. Começou no Sport e desembarcou no Corinthians no dia 10 de agosto de 1978, quando Vicente Matheus soltou uma de suas mais célebres frases: “Eu falei que ia montar um time para brigar pelo título. Já trouxe o Sócrates e está chegando um garoto novo, que jogava no Recife, o nome dele é Lero Lero”.
Logo Biro Biro conquistou seu espaço. Fazia mais exercícios que o preparador físico recomendava. Gostava de ficar no campo depois dos treinos. Ganhou vários títulos pelo Timão. Para a Fiel, foi mais um super-herói. Quando você via na escalação que ele estava em campo, sentia-se seguro. Sabia que naquele jogo teria uma vontade sobrenatural de vencer e o desejo incontrolável de honrar quem lhe dá o sustento, nem que seja necessário doar a alma. Biro Biro era o Homem-Aranha. Se uma criança corinthiana doas anos 1980 sonhasse com o bicho-papão, logo procurava o pôster do Biro para voltar a um sono tranqüilo - ainda que, com sua pele bronzeada e o cabelão oxigenado, ele fosse mais feio que o bicho-papão.
Não era um craque, mas não era um perna-de-pau. Do meio para a frente, jogou em todas as posições – e não fez feio em nenhuma. Com tanto moral, podia sentar na fama e ditar ordens, fazer panelinhas, arrumar benefícios. Não se você for o Biro Biro. Até o fim da sua carreira no Timão, ele entrava em campo todos os jogos como se fosse a primeira vez.
Maradona foi um craque incontestável. Só que no meio do caminho alguma coisa se perdeu. Talvez a essência da paixão pelo que faz. Ou a humildade, diante do reconhecimento. Nas atitudes do Birão em campo, em cada partido você colhe uma lição. Que quanto mais faz sucesso, mais duro é preciso trabalhar. Que, quando você acredita de verdade no que faz, vale a pena qualquer sacrifício. Se é o sucesso que você busca, trabalhe por ele com a alma, nunca no piloto automático. Foi assim que um mero jogador esforçado se destacou em meio a craques como Sócrates, Zenon e Casagrande.
Muito mais que eleger qual o melhor jogador, a campanha da Coca-Cola pode até ser um teste vocacional. Quem você quer ser quando crescer? Maradona ou Biro Biro? Sem lero-lero...

Isso aí... Biro Biro para presidente!

Quero ser como o Birão... trabalhar de verdade nunca no piloto automático! Por mais que o que te faça feliz (que alguns chamam de sucesso), pareça impossível não desista...
Ou só porque está próximo do impossível você desistiria?

Fuuuiii...

Leandro Marçal

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